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O STP ON é uma plataforma de notícias, entretenimento e divulgação sócio-cultural Santomense. Um espaço jovem, dinâmico e interativo.

06/12/2025

Quanto devemos a Angola e por que isso importa para todos nós?

A dívida entre São Tomé e Príncipe e Angola é real — mas não há um único número simples. Parte é dívida soberana (que o Estado reconhece), outra parte resulta de créditos comerciais relacionados sobretudo ao fornecimento de combustível e a passivos de empresas públicas (nomeadamente empresas de energia). Por isso os valores variam conforme a fonte e o critério de contagem.

Da fotografia oficial, o IMF/World Bank refere uma consolidação técnica que coloca a dívida histórica com Angola numa ordem de US$67.9 milhões (valor usado em exercícios técnicos de 2024). Porém, reportagens e comunicados do governo e da imprensa apontam números bem maiores quando incluem créditos comerciais da ENCO/EMAE e outros passivos — há menções públicas a cerca de US$270–300 milhões em anos recentes. Em suma: há uma dívida estatal reconhecida e dívidas comerciais/empresariais que elevam o total.

Como se chegou aqui? Grande parte deste passivo começou com fornecimentos de combustíveis e compras a crédito, contratos e operações em que empresas de Angola (ou com participação angolana) foram fornecedoras, e também com obrigações contraídas por empresas públicas são-tomenses que o Estado teve de honrar ou negociar. A combinação de gestão empresarial fragilizada, choques económicos e a necessidade de manter serviços essenciais aumentou o endividamento.

E como pagar? O Governo já negocia mecanismos de reestruturação com Angola — há notícias sobre “pré-acordos” que passam por instrumentos jurídicos, entrega de ativos ou swaps, e procura de soluções multilateralmente coordenadas (IMF/World Bank/UNDP têm acompanhado diagnósticos e propostas de reestruturação). Especialistas defendem maior transparência, auditoria dos passivos das empresas públicas e uso de instrumentos que privilegiem a sustentabilidade fiscal em vez de medidas de curto prazo que só adiem o problema

fonte: IMF, Voice of Amerri; STP-press

06/12/2025

Guiné-Bissau no olho do furacão — e STP não pode ignorar

A instabilidade política na Guiné-Bissau tomou um rumo dramático: em 26 de novembro de 2025, os militares derrubaram o presidente Umaro Sissoco Embaló, suspenderam o processo eleitoral e declararam “controle total” do país.

Em poucos dias, as consequências já se fazem sentir — o ex-presidente Embaló sendo mantido no quartel-general do estado-maior, enquanto o general Horta Inta-A Na Man assume como chefe da junta militar e governa em regime de transição.

Além disso, o golpe reativa um padrão histórico de instabilidade na Guiné-Bissau — o que preocupa não só pela democracia interrompida, mas também pelo impacto sobre economia, segurança e direitos humanos. A comunidade internacional já reagiu: a African Union (UA) e a ECOWAS suspenderam o país até que seja restaurada a ordem constitucional.

A verdade é que a crise em curso na Guiné‑Bissau não nasceu ontem e tem raízes profundas e São Tomé e Príncipe como um país irmão não pode ignorar os acontecimentos.A Guiné-Bissau já suportou quatro golpes bem-sucedidos desde que ganhou a independência de Portugal em 1974, sem contar com as tentativas fracassadas. Este um lembrete urgente de que a paz, a democracia e a vigilância cidadã são essenciais - não apenas para a Guiné-Bissau, mas para toda a nossa comunidade lusófona e africana.

fonte: rfi.fr; businessinsider.com; trtafrika.com

06/12/2025

Tabaco em STP: hábito comum ou perigo escondido?

O tabaco está presente nas vidas de uma parte da sociedade santomense, mas nem sempre falamos sobre que dimensão tem esse consumo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (via plataformas que agregam os dados), a prevalência de fumadores adultos em São Tomé e Príncipe situa-se em torno de 5% do total da população adulta (com homens em cerca de 9% e mulheres muito menos representadas). Os dados mostram ainda que por ano morrem 32 pessoas vítimas do tabagismo no país.

A lei nacional de controlo do tabaco (Lei n.º 3/2014) regula onde se pode fumar - proibindo o consumo em hospitais, escolas, transportes públicos, recintos fechados de espetáculo e outros locais - e exige avisos nos maços e limita a publicidade. A mesma lei protege explicitamente menores (refere a protecção de pessoas com menos de 16 anos em alguns espaços) e prevê sanções para quem desrespeitar as regras.

Quanto à idade legal para compra, as regras do país proíbem a exposição de menores e o fumo em áreas acessíveis a quem tenha menos de 16 anos, mas a prática e a fiscalização variam. Em resumo: existe enquadramento legal que limita o acesso e a exposição dos jovens, mas a aplicação efetiva é um desafio habitual em muitos países pequenos.

No plano económico, o preço dos ci****os em São Tomé aparece em bases de custo de vida como relativamente baixo comparado com a média europeia — sites de custo de vida indicam um pack de marca por volta de 50 dbs . Independentemente do preço, o tabagismo tem custos reais: aumento das doenças respiratórias e cardiovasculares, maior despesa pública em saúde e perda de produtividade.

O que isto signif**a para STP? Mesmo com prevalências aparentemente moderadas, os efeitos são graves: mortes atribuíveis ao tabaco, pressão sobre o sistema de saúde e normalização do hábito entre jovens se não houver vigilância. A combinação de legislação (já existente), fiscalização ef**az, campanhas de prevenção e apoio para quem quer deixar de fumar é o caminho recomendado para reduzir o impacto do tabaco no país.

fonte: numbeo.com; tobaccoatlas.org

02/12/2025

Combustível mais barato: STP respira um pouco...

O governo de São Tomé e Príncipe reduziu os preços dos combustíveis pela quarta vez neste ano - uma boa notícia para quem depende de carro, mota, táxi ou transporte público.

Antes da queda mais recente, a gasolina estava no início do ano a 37 dobras por litro, o gasóleo a 35 e o petróleo doméstico a 21. Agora, com a nova revisão, a gasolina cai para 28 dobras, o gasóleo para 27 e o petróleo para 18.

O impacto da medida pode ir além da bomba: chama-se a atenção para a esperança de que o custo de deslocações de mototáxis, transportes públicos informais ou condução própria diminua também, aliviando o orçamento das famílias. E se mantiver estabilidade, poderá favorecer a mobilidade, o comércio e o acesso a bens e serviços.

Claro que a queda de preços não resolve todos os problemas: a redenção depende também de regulação e da garantia de que os cortes beneficiem os consumidores, não só revendedores. Mas a iniciativa pode ser um passo importante numa economia onde cada dobra conta.

01/12/2025

Voos em risco: controladores em greve, segurança em suspenso

Os controladores de tráfego aéreo de São Tomé e Príncipe anunciaram greve — e agora denunciam que aviões têm aterrado e decolado sem a supervisão necessária. Segundo carta do sindicato SINCTAS, chegam a haver operações aéreas na ilha do Príncipe sem o apoio de controladores — uma prática que, se confirmada, viola normas mínimas de segurança.

De acordo com o sindicato, atualmente apenas dois controladores supostamente cobrem quatro turnos diários, longe do número mínimo recomendado. Um deles, inclusive, estaria a operar mesmo com a certif**ação de inglês vencida — e sem o acompanhamento obrigatório de um colega qualif**ado.

A consequência imediata? O risco de acidentes, a perda de confiança de companhias aéreas e operadores internacionais, além de colocar em dúvida a segurança de passageiros que viajam para as ilhas. Para um país dependente da aviação para turismo, comércio e mobilidade inter-ilhas, isso representa um grave retrocesso.

Os controladores são responsáveis por garantir o trânsito seguro das aeronaves, coordenando decolagens, aterrissagens e o tráfego no espaço aéreo nacional. Sem a presença deles, a operação dos aeroportos f**a gravemente comprometida, porque não há quem assegure a gestão técnica essencial à navegação aérea — o que pode tornar os voos inseguros.

Para São Tomé e Príncipe, que depende fortemente do transporte aéreo para turismo, importações e mobilidade internacional, essa greve representa um golpe duro. O país pode ver sua dinâmica de ligação com o mundo afetada, prejudicando não só as companhias aéreas, mas também os viajantes e o comércio.

A paralisação sinaliza problemas mais profundos: talvez uma falta de investimento na aviação civil, insatisfação entre os controladores ou deficiências nos recursos humanos. Se não houver diálogo urgente, a greve pode comprometer a reputação dos aeroportos de STP e afetar a confiança de operadores internacionais.

29/11/2025

Pêpê Lima: uma voz que o tempo não apaga

Pedro “Pêpê” Lima partiu há vários anos, mas a sua música continua viva no coração dos são-tomenses. Nascido em 1944, destacou-se cedo ao lado da banda familiar Os Leonenses, marcando uma geração com a sua voz forte, presença carismática e um estilo que misturava ritmos tradicionais com influências africanas e afro-lusófonas. Para muitos, Pêpê Lima não foi apenas um cantor - foi parte da identidade cultural de São Tomé e Príncipe.

O seu álbum Maguidala (1985) permanece como uma das obras mais emblemáticas da música nacional, reeditado por selos internacionais e descoberto por novos ouvintes muito depois do seu lançamento. Nas suas composições, é possível sentir a energia das ilhas: o balanço da puxa, a cadência do soukous e a melodia profunda que sempre marcou a música santomense. Cada faixa é quase uma memória coletiva, um retrato da vida e da alma do arquipélago.

Apesar do talento e projeção, Pêpê Lima sempre se manteve próximo do povo. A sua voz acompanhou festas, encontros familiares e momentos importantes da comunidade, tornando-se banda sonora de várias gerações. O seu legado inspira músicos mais jovens e lembra-nos da riqueza cultural que São Tomé e Príncipe oferece ao mundo.

Hoje, recordar Pêpê Lima é reconhecer a força das nossas raízes musicais. As suas canções continuam a tocar nas rádios, nos bares e nas festas, atravessando o tempo com a mesma vitalidade de sempre. Ele já não está entre nós, mas a sua arte segue viva - e isso, por si só, é imortalidade.

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